sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008


Este foi o cenário! Claro que depois de um certo tempo você perde o jeito, o pique já não é o mesmo, a disposição reduziu e aquele espírito que no passado eu tinha, tento resgatar.
O dia colaborou para que eu enfrentasse esta cena e, aos poucos, parece que o mundo dá sinais de que voltará a me sorrir.
Consigo recuperar gotas de auto-estima e me entrego ao clima sem pensar que existe amanhã.
Para minha surpresa, percebo que estou me divertindo.
Não como antes, nem tão bem como poderia e nem tão segura quanto gostaria, mas estou me divertindo.
Ainda não sei o que faço com as mãos, essas que por muito tempo viveu de mãos dadas.
Acabo me esquecendo delas, fecho os olhos e permito que as músicas me movimentem.
Sem cobranças, preocupações, receios ou lembranças.
Sinto que meu corpo todo se movimenta e, sem perceber, volto a me encaixar naquele nicho. Não tão à vontade e feliz com a situação, mas ele não se esqueceu de como atuar e se adaptar.
Tento não lembrar que já não há mais para quem ligar e nem encontrar e, quando abro os olhos, me assusto com as pessoas a me observar e, de repente, percebo que voltei a ser visível. Pelo menos nesta nova realidade que faz surgir novos personagens.
Sinto-me, repentinamente, corajosa, divina, linda...o que parece agradar...
Chego em casa feliz por conseguir fazer minha vida caminhar, mas cansada demais para pensar que já não tenho você para telefonar.
Acordo com resquícios de uma balada, com aquele gosto familiar que já havia esquecido. Não me alegro com isso, mas a realidade é que preciso me movimentar.
Estou exausta, um pouco mais livre, já caminhando com passos firmes e trazendo no rosto um sorriso falso, que parece enganar.
Consigo, pelo menos, mentalizar, visualizar e acreditar, não em você e nem em mim, mas em um futuro.
Consigo deixar renascer um espetáculo, mesmo que os olhos daquela platéia que por tempos ansiei, não queiram mais me enxergar.
Já é um novo dia e me ponho a funcionar de forma que consiga repetir a cena.....com aquele velho novo mundo, cheio de coisas a desvendar...
Enquanto isso, coloco de lado a dor, bem ao lado do vazio, daquele amor, da angústia, da saudade e da solidão...
Não preciso disso agora, preciso me cuidar e parar.
Parar de imaginar que você vai voltar e me amar.
Por isso ignoro tudo e deixo o tempo passar, sem contar as horas e nem dar muita bola para como vou ficar.
Não posso mais me preocupar, vou deixar a vida me levar.....e quanto a você, você terá o tempo que desejar.
Enquanto isso, "vou deixar a vida me levar, para onde ela quiser, vou esquecer de mim" e quanto a você, bem, você, se puder, não me esqueça... mas, se por acaso esquecer, eu já consigo enxergar uma nova cena....ainda sem platéia e roteiro, mas ela está lá.....esperando apenas que meu coração grite ação e ai, bem, ai, será uma nova emoção e não mais solidão...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008




Então é isso...


Consegui coordenar as palavras com o sentimento, encontrando um equilíbrio entre a razão e emoção.

Acordei na mesma realidade triste e cabisbaixa, mas sem me sentir envergonhada pela minha humilhação.

Me senti ferida ainda, mas já com uma leve casca que cobre o sangue.

Me senti aliviada por ter conseguido articular as idéias e encontrar o por que.

Me senti adulta por me defrontar com ele e colocar os pingos nos is, sem temer o futuro.

Me senti mulher por fazê-lo enxergar com quem lidava e que consequências viriam.

Sem pressão, nem culpa.

Sem ressentimento, nem ressalvas.

Sem mentiras, nem oscilações.

Sem pedidos, nem piedades.

Com controle e firmeza.

Com coragem e determinação.

Com certeza e maturidade.

Com honestidade e clareza.

Fiz isso seguindo meu coração, minha intuição, minha razão, minha cabeça.

Por mim e somente por mim...

Encaixei as peças, cada qual em seu devido lugar.

Sem diferença de níveis ou objetivos.

Sem cobranças ou divagações.

Com objetivos e metas.

Com carinho e firmeza.

Fui sincera sem deixar de ser adulta e revelei meu amor, sem deixar de mostrar que também crio asas.

Ele deu início ao jogo, mas eu mexi a última peça.

Está nas mãos dele saber se há xeque-mate....

Quanto a mim, ainda olho para este tabuleiro, pelo menos, por enquanto...

De toda forma, sigo em frente e, sem perceber, estou indo embora...lentamente, mas indo, eu mesma, sozinha, ainda sem muita direção, mas estou seguindo meu caminho...talvez ainda me alcance, talvez não...a verdade, é que estou sem direção e nem sei, exatamente, se há um "senão"...


terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Para um menino, uma flor


"Porque você era um menino com uma flor eu te olhei com atenção, e porque sua voz angelical não sai da minha cabeça, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você acabou de fazer.
E porque você não é só mais um menino com uma flor eu continuo na mesma estação, chorando porque seguimos caminhos diferentes e você ficou morrendo de pena daquela que partiu ao meio.
E porque você ainda tem aquele olhar de um menino com uma flor, eu lhe desculpo por ter me passado para trás, transferido seu método ao meu cotidiano e implicado comigo porque eu gostava de mexer em minhas unhas, como se eu tivesse culpa de ser assim.
E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos como me surpreender com suas demonstrações de amor.
E porque você tem um rosto lindo, mesmo quando deixa o cabelo crescer para cima, parecendo um Einstein moderno, e anda lento, e conta rápido, mas sem ficar chato.
E porque você é este menino com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, mas quando você der uma paradinha marota para olhar para trás, aí, você, talvez, me enxergue, mas tudo bem, eu compreendo.
E porque você é este menino com uma flor, que eu lembro sempre quando disse que me amava pela primeira vez e quando canta Frank Sinatra nem um bicho sobrevive a sua voz, e você desafina lindo, e, às vezes, acorda no meio da noite com seu próprio ronco, eu te juro, sempre torcerei pela sua felicidade.
E porque você tem uma cachorra de nome Speranza e que te vê como eu gostaria de ainda poder, eu lhe digo, que seja maravilhosa sua história.
E porque você é um menino com uma flor, que era capaz de ficar me olhando horas, eu lhe afirmo, cativou meu coração.
E sendo você este menino com uma flor, eu lhe peço que nunca fique só, eu lhe peço, também, que pense em como me deixou sozinha nesses últimos dias; porque ficou tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que os homens nem ousam me amar porque dariam tudo para ter uma poetisa pensando assim neles, com uma mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê mais nada.
E porque você é o único menino com uma flor que eu conheci, eu escrevi uma declaração para você, a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso se lembrar, fique sentado em seu sofá, olhando pela tela de seu computador e lendo, com sua voz desafinada, este pedaço do texto em que eu digo que você é meu sol, minha lua, meu querer. Meu amigo e companheiro, no infinito de nós dois.
E já que você é um menino com uma flor que me disse adeus, me obrigo e fico aqui no meu cantinho, lembrando daquela lareira acesa, da vista, das praias que estavam lá embaixo enquanto nós as sobrevoávamos; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa e triste, sem esperança, sem força e sobrevivendo de saudades...
E porque em meus sonhos eu me levanto para recolher você nos meus braços, e o mundo todo fica em silêncio enquanto a noite chega, recheada de lembranças.
Eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os sentimentos bons que eu já tive; e que todos os homens que pensei que havia amado, como tristes estátuas, me perguntam por que você?! E eu respondo, entre lágrimas e saudades, porque você é lindo, porque você é meigo e, sobretudo, porque você sempre será meu menino com uma flor." (TE AMO)

(Adaptação de "Para uma menina com uma flor" de Vinícius de Moraes)

"Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundos, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata."

Carlos Drummond de Andrade

'' ... Saudade é amar um passado que ainda não passou.
É recusar um presente que nos machuca.
É não ver o futuro que nos convida ... ''
Pablo Neruda