sexta-feira, 17 de julho de 2009

É amor quando...

é amor quando vc não se importa de acordar com ele do lado e o beija mesmo ele estando com mau hálito.
é amor quando ele peida e você continua querendo ele mesmo assim

é amor quando ela chega cansada, sem maquiagem e descabelada e, mesmo assim, você a acha linda
é amor quando ela menstrua, incha e está de TPM e, ainda assim, você quer ficar com ela.

é amor quando você fica brava, se irrita, mas não consegue ficar sem aquela pessoa
é amor quando você, no ato, sabe que não se trata apenas de sexo
é amor quando você quer que aquela pessoa seja feliz, mesmo que isso signifique que ela não fique com você

é amor quando não há frio na barriga, quando não há exagero, quando não há cegueira, quando não há máscaras. Porque o amor não é paixão, porque o amor não é efêmero. O amor nos permite amar aquela pessoa, estando ele acima ou abaixo do peso.


O amor abraça os defeitos e as qualidades. O amor compartilha. O amor é companheiro.

Ama aquele que durante a relação adora, se apaixona, odeia, se irrita, respeita, briga.
Ama aquele que escuta, fala, se cala, chora, grita, ri e descabela.
Ama aquele que tem coragem de encarar e abraçar uma pessoa por inteiro, sem querer modificá-la ou adequá-la às suas necessidades.

Porque o amor é assim, ele acontece. Acontece não porque você está linda, magra e maquiada. Ou porque ele é rico, cheiroso e afetuoso.


O amor acontece quando menos se espera, por quem menos se imagina e da forma menos possível.
Por que o amor é assim, inexplicável...

terça-feira, 14 de julho de 2009

Diário de uma mudança


Me faltam páginas no diário. Justo eu que sempre fazia questão de documentar tudo. Notei isso outro dia, quando senti falta de mim mesma. Fui resgatar uns pedacinhos meus que se espalharam ao longo dos anos naquelas velhas páginas.
Encontrei um capítulo do diário em que me descobri moleca. Camiseta longa, bermuda de lycra, tênis sujo e um rabo de cavalo. Ao meu lado estavam poucas caras que me acompanham hoje em dia. Eu vivia com minha bicicleta vermelha, toda suada, com camiseta rasgada e joelho ralado das infinitas brincadeiras. No rosto, carregava um sorriso de quem estava sempre aprontando. No coração, sonhava com amores platônicos com membros do Menudo e, a realidade mais próxima de namorado, era a que eu sentia por ídolos como Michael J. Fox., estrelando “ De volta para o futuro”.
Continuei folheando meu velho confessionário e redescobri minha porção surfista. Quando acordar às 5 horas da manhã para pegar onda na ponta da praia, nada mais era do que uma desculpa para ficar fora de casa, sozinha e com a galera. Nesta época eu não ligava se estava andando com bunda de fora, se me olhavam, se eu tinha o peso certo ou se meu cabelo ficaria ressecado. Meus namoros eram por meio de cartas escritas em papel. Minha neura se resumia a conseguir notas escolares. Meu pesadelo era a chegada do boletim.
Me peguei enxugando uma lágrima e respirando fundo pra resgatar o fôlego, pois em meio aos meus pedaços descritos naquele antigo diário , eu revi alguns rostos que se perderam no tempo. Naquela época, eu jamais imaginaria que sentiria saudades do cheiro do cigarro da minha avó, do som da velha banda marcial tocando e dos passeios no banco de trás do carro dos meus pais. Descobri que naquela época me faltava malícia, me faltava responsabilidade, me faltava maturidade, me faltava experiência. Afinal, eu era uma criança. E que delícia era ser criança....
Mudei a página do diário e encontrei embalagens de balas recebidas por correio elegante, depoimentos escritos por um colega de sala e lamentações devido ao castigo que ganhei no fim de semana. Eu não sabia que aqueles não seriam meus amores, aqueles não seriam meus amigos e que teria milhares de fins de semana. Descobri que naqueles anos eu ainda acreditava em tudo e em todos, que bastava eu precisar de um agasalho novo e ele aparecia, que uma briga na escola não durava mais do que dois dias.
Engoli em seco meu choro, pois naquelas páginas constava um relato da minha vida. Minha transformação estava retratada nas páginas e a mudança era nítida.
Aquele sorriso moleque; sincero; meio bobo; exagerado e com aparelhos nos dentes, deu lugar a um mais contido e para poucos. Aquele olhar travesso; intenso; brilhante; curioso; honesto e profundo, foi substituído por um mais sério; opaco; desconfiado e preocupado. Aquele vestuário despojado; desinteressante; simples e confortável; virou ferramenta para que eu venda a imagem de mim mesma no dia-a-dia. Aquela cabeça onde cabiam sempre travessuras; aventuras; estripulias e brincadeiras de esconde esconde; agora acolhem preocupações; contas; consultas ao médico; horários e “cabelos brancos”. Aquele coração ingênuo; puro, esperançoso; confiante e romântico, transformou-se em pedra bruta, cansado de apanhar e desiludido demais para acreditar.
Fui reler meu diário buscando temperos, inspirações, motivos para me redescobrir, para me reconstruir. Adicionei a mim, uma nova receita com meus velhos ingredientes. Colhi uma pitada da menina sapeca para meus dias de aventura; uma colher da criança ativa e inocente para os momentos confusos; uma xícara da adolescente apaixonada e romântica para minhas noites quentes; meio copo da expectativa e simplicidade da colegial divertida e segura para minhas reuniões exaustivas. Juntei todos estes ingredientes aos que consegui ao longo da vida e mexi.
Após ler meu diário e planejar a minha nova receita, percebi que as páginas que faltavam não faziam mais falta. Estava pronta para escrever outros capítulos. Lembrando o que era bom e agradecendo por ter superado o que era ruim, sorrindo para o que resgatei de melhor e tranqüila por ter superado o que ocorreu de pior.
Fechei as páginas antigas para iniciar uma história nova. Desta vez sem esquecer os bilhetes, os rostos, os cheiros, as brincadeiras e a delícia dos riscos.
Notei isso quando me vi como uma equilibrista entre o antes e o depois. Carregando no rosto as rugas da idade junto à travessura de menina. Escondendo no peito o coração rachado, mas pronto para amar de novo. Desfilando com o salto de mulher vivida, sem esquecer do rabo de cavalo que mais parece aquela criança que estava esquecida.
No olhar ficou o brilho, no coração a saudades, na cabeça o aprendizado. Para quem me vê sou a mesma, para quem me conhece sou um futuro...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Razão x Emoção



Você planejou tudo.
Pensou e repensou seu discurso milhões de vezes.
Está decidido, você não quer mais ficar com ele.
Tudo foi agendado de forma que a situação fique menos complicada do que já é.

Ok, chega a hora marcada e você está ali, impassível aguardando ele chegar para lhe dizer que vai embora.
A porta abre e ele surge todo sorridente, saltitante, com um humor contagiante.
Seu chefe lhe deu uma promoção e com o salário dobrado ele já planejou te levar para aquele passeio que há tempos ambos sonhavam.
Ele te abraça, te beija e todo aquele seu plano vai por água a baixo.

Você já está entorpecida pelo cheiro.
Embriagada pelo beijo.
Cega pelo tesão.
Aonde foram parar todos aqueles planejamentos?

Você sabe que não quer mais manter aquele caso.
Decidiu que não pretende mais ser a outra e que seus lençóis não serão mais divididos com aquela pessoa.
Você revisa todas as suas palavras com cuidado e treina para que não haja sentimentalismo.

Chega o momento aguardado e ele surge ali, lindo.
Com a camisa que você deu e o perfume que você gosta.
Lá se vai sua razão.
Afinal você pensa, “isso pode ficar para depois”.
Mas quem disse que depois daquela noite você consegue dizer adeus?

As palavras deram lugar aos fatos.
A emoção dominou qualquer sinal que o cérebro poderia emitir de razão.
A pele ganhou a partida por placar disparado.

A desculpa para isso, é que a carne é fraca ou que estamos, momentaneamente, carentes.
Que atire a primeira pedra quem nunca passou por isso.
Que ensine a cartilha, quem já superou tudo isso.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Procuro sempre olhar por onde piso, mas me distraio com os cenários ao lado.Foco em um objetivo, mas me atrapalho com os obstáculos do caminho.Não desisto facilmente, mas as lombadas, de tão insistentes, acabam com meu motor.Eu costumo retornar rápido a estrada e no sentido certo, mas ainda sou surpreendida pelos sinais vermelhos.Chego a insistir em algumas metas, mas ando me cansando de dar murro em ponta de faca.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Jogo


Não acredito em disputa de poder.
Essa coisa de ela pode mais, ele pode menos e vice-versa, me irrita.
Ele ficou com outra? Eu vou lá e também fico com alguém.
Ele deu perdido? Eu não sossego enquanto não der o troco.
Ele me ignorou? Eu procuro uma forma de irritá-lo.

Este jogo de disque-me-dique-me, me cansa.
É energia desperdiçada pra nada.
É arquitetar um plano que não serve pra nada.
É prolongar uma situação que não me leva a nada.

Essa coisa de relacionamento já é complicada por si só.
Encarar o sentimento e dizer em voz alta o que rola de verdade, é um exercício de auto-conhecimento.
Perceber que aquela pessoa deixou de ser apenas mais um, leva tempo.
Decidir se está disposta a apostar as fichas em apenas um alguém, é arriscar alto.
Investir em uma relação a dois e se dispor a engolir sapos, leva paciência, ânimo e fé.

Só que tudo isso não basta.
A gente aprende que é preciso respirar fundo e esquecer os meandros do caminho.
A gente aprende que temos de ter olhar de águia para enxergar que apesar de todas as outras, ainda somos especiais.
A gente aprende que aquele não, no fundo significava um sim.
A gente aprende que a ausência também pode ser um temor velado.
A gente aprende muita coisa nesta disputa de poder.

Testamos e chegamos ao limite!
Instigamos se há tesão, se há emoção, se há vibração, se há prorrogação.

Arriscamos e encaramos os fatos!
Vasculhamos até onde aquele alguém pode ir, até onde este alguém consegue chegar e colocamos nosso orgulho próprio em risco.

Só que, ainda assim, tudo isso não basta.
Não basta porque, muitas vezes, continuamos a ser testados, continuamos a ser machucados, continuamos a ser usados.
Em meio a todos estes percalços, acabamos nos rendendo.
Acabamos nos entregando e estendendo a bandeira branca.
Acabamos dando um basta a este jogo de poderes e estendemos a toalha.
Dizemos a nós mesmos que a partida chegou ao fim, que o limite já foi ultrapassado e que meu jogador está cansado.
Simplesmente, saímos de campo e aposentamos a chuteira.

Invariavelmente, neste jogo de disque-me-disque-me, sempre acaba sobrando apenas um jogador.
Aquele que ainda não testou todos os pontos, que não sugou todas as fragilidades, que não extinguiu todas as energias e nem usou todas as armas.
Este jogador fica no campo, esperando que o “adversário” recupere a força e retorne para mais uma partida.

Ironicamente, o campeonato se encerra, o campo fica vazio e aquele jogador incansável vai em busca deste “adversário”.
Ele procura e encontra.
Encontra um alguém cansado só que mais armado.
Aquele alguém que media poderes, já não se interessa mais.
Ele se transformou, se afastou, mudou e o antigo jogo não faz mais parte de seus afazeres.

O que aconteceu?
Simplesmente ele foi-se embora, ele cansou, ele se entregou, ele partiu para outra copa.
Uma copa de disque-me-disque-me, onde pode encontrar diversos times, com bancos enormes de reservas, porque, assim, não precisa mais ser constantemente testado por um mesmo adversário.

A gente aprende que é melhor um recheio de opções, do que a energia desperdiçada com uma só.
A gente aprende que ter uma invariável lista de times, mantém nossos corações fortes.
A gente aprende que a escalação de diversos jogadores nos força a ficar em pé.
Porque assim, não precisamos chegar ao nosso limite, não precisamos medir poderes, não ficamos preocupados com o troco.

Cada partida é única.
Cada manobra significa apenas mais uma.
Cada gol dura o tempo necessário.
E não há expectativa, exaustão, dedicação ou preocupação.
Porque esses jogos são assim, vapt-vupt. Sem segundo tempo, prorrogação ou semi-final.
Ele apenas vão e vem.
Sem testes, limites ou sentimentos.

E, por incrível que pareça, percebemos que tudo isso, um dia, nos basta.
Porque estamos cansados, porque já fomos testados, porque já fomos usados, porque já fomos machucados!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Flerte



Começou tudo com um mero flerte.
Você ali, linda, macia, elegante.
E eu só te olhava, admirando sua textura, bem de longe.
Todos os dias eu te olhava e admirava seu charme e em como tudo ficaria mais bonito com você.
Claro que eu não era a única pessoa que passava e te desejava. A concorrência era grande e algumas pessoas até te tocavam. O que despertava minha inveja, meu ciúmes, meu desejo.
Perdi as contas de quantas vezes eu sonhei com você. De quantas vezes quis te levar para jantar, para dançar, para viajar.
Estava até acostumada a te ver de longe, era como escovar os dentes. Ver você tornou-se imprescindível.
Um dia me assustei, passei por aquele lugar onde sempre te encontrava e você não estava mais lá.
Fui durante dias e em horários diferentes te procurar e nada de você por lá.
Sentindo que poderia te perder pra sempre eu resolvi me aproximar e perguntar de você.
Por sorte você estava lá, guardada, dobrada e passada, mas longe dos meus olhos.
Pela primeira vez consegui te tocar e, com coragem, resolvi te possuir.
Assim que vesti você, minha echarpe, pude comprovar, que tudo não passava de mais um flerte, apesar da maciez e da elegância ao te provar.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

despenteia

Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie. Por isso decidi aproveitá-la com mais intensidade... O mundo é louco, definitivamente louco...O que é gostoso, engorda. O que é lindo, custa caro. O sol que ilumina o teu rosto enruga. E o que é realmente bom dessa vida, despenteia... - Fazer amor, despenteia.- Rir às gargalhadas, despenteia.- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.- Tirar a roupa, despenteia.- Beijar à pessoa amada, despenteia.- Brincar, despenteia.- Cantar até ficar sem ar, despenteia.- Dançar até duvidar se foi boa idéia colocar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível... Então, como sempre, cada vez que nos vejamos eu vou estar com o cabelo bagunçado... mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir.Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável,toda arrumada por dentro e por fora.O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:Arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça, coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria... e talvez deveria seguir as instruções, masquando vão me dar a ordem de ser feliz? Por acaso não se dão conta que para ficar bonitaeu tenho que me sentir bonita... ¡A pessoa mais bonita que posso ser!O único, o que realmente importa é que ao me olhar no espelho, veja a mulher que devo ser.Por isso, minha recomendação a todas as mulheres: Entregue-se, coma coisas gostosas, beije, abrace, dance, apaixone-se, relaxe, Viaje, pule, durma tarde, acorde cedo, corra, voe, vante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortável! Admire a paisagem, aproveite, e acima de tudo, deixa a vida te despentear!O pior que pode acontecer é que, ao passar rindo frente ao espelho, você precise se pentear de novo...